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Uma Lei para alertar sobre os riscos do uso excessivo de telas na infância

Iniciativa é da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS)

08.10.2019  |  396 visualizações

Assim como a indústria do cigarro passou a ser obrigada a alertar sobre os riscos do tabagismo com dizeres nas embalagens, fabricantes de celular poderão, em breve, ter a obrigação de dispor de um alerta nos seus equipamentos. O objetivo é informar os males que o uso excessivo de telefones celulares, televisão e tablets causam no desenvolvimento da criança.

A iniciativa é da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) e a proposta será apresentada em forma de Projeto de Lei pelo deputado estadual Pedro Pereira. A intenção é fazer um projeto de lei para que, em todas as embalagens de dispositivos eletrônicos vendidos, tenha uma etiqueta com a recomendação de um uso moderado - principalmente durante a infância. A medida permitirá orientar a sociedade sobre os perigos do uso excessivo e indicar qual é o tempo máximo ideal que as crianças podem ficar expostas a essas tecnologias.

O anúncio oficial do Projeto de Lei será feito no primeiro dia de atividades do 39º Congresso Brasileiro de Pediatria (CBP) que acontece de 9 a 12 de outubro na FIERGS, reunindo cerca de sete mil participantes, em Porto Alegre (RS).

Justificativa

Os benefícios e prejuízos das tecnologias é um foco de atenção de todos os profissionais que lidam com as questões da saúde durante a infância e a adolescência. Estudos científicos comprovam que a tecnologia influencia comportamentos através do mundo digital, modificando hábitos na infância que podem causar prejuízos e danos à saúde física e mental dos jovens, com impacto em diversos aspectos.

A neurociência comprovou, através de exames de Ressonância Magnética, que o uso excessivo de telas prejudica o desenvolvimento cerebral das crianças. Por isso, elas não devem ser expostas de forma precoce a dispositivos eletrônicos.

Por outro lado, o celular tornou-se uma alternativa fácil aos pais, já que poupa o esforço que eles fariam com brincadeiras ou contando histórias, por exemplo. Tendo acesso a vídeos, cores e canções que ajudam na distração das crianças, os responsáveis passaram a usar esse artifício desde muito cedo, em bebês de poucos meses, o que prejudica o período da aquisição da linguagem e da estrutura psíquico-social, que ocorre principalmente nos dois primeiros anos de vida. É claro que é necessário conviver com os avanços da tecnologia e saber tirar proveito deles, mas não se pode esquecer que, durante o processo de formação da criança, é muito importante que ela receba estímulos através de canções de ninar, histórias contadas pelos pais e brincadeiras que gerem algum tipo de interação, pois é essa troca de estímulos que vai fazer com que o seu desenvolvimento seja saudável.

É comprovado que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos prejudica a qualidade do sono: crianças e adolescentes que ficam muito tempo conectados dormem menos e dormem mal. O contato com as telas dentro de uma ou duas horas antes de dormir induz à insônia e à dificuldade de iniciar o sono, isso é decorrente do alto estímulo visual que a luz azul provoca. A baixa qualidade do sono, por sua vez, provoca outros problemas de saúde, como a obesidade, alterações de humor (ansiedade e depressão), déficit de atenção e diminuição do rendimento escolar.

O tempo que jovens e crianças dedicam às telas suprime o tempo que eles poderiam ter dedicado a atividades lúdicas, esportivas e de interação com outras pessoas. Isso é um fator que provoca o sedentarismo, que, junto à obesidade, contribui para o surgimento de futuras doenças cardiovasculares e diabetes.

Evidências científicas mostram que o tempo de conexão excessivo das crianças e da família afetam a convivência, o diálogo e as suas relações interpessoais, alterando a qualidade do vínculo e a dinâmica familiar - pontos que são muito importantes para o desenvolvimento saudável de uma criança. Inclusive existem pesquisas em que crianças afirmaram achar que os pais preferem o celular a elas, causando um sentimento de carência e exclusão por serem deixadas de lado.

Além de todos os danos que os dispositivos eletrônicos podem causar à saúde, existem também os impactos causados pelos conteúdos das mídias. Alguns conteúdos mais violentos podem estimular condutas agressivas, antissociais e autolesivas. Também existem evidências científicas sobre a relação do uso excessivo de redes sociais com depressão e problemas de autoestima.

Portanto, é muito importante que os pais saibam dos impactos que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos tem no desenvolvimento das crianças e, a partir disso, possam controlar da melhor forma o tempo que seus filhos ficam conectados às telas.

Helena Muller
Cristina Targa Ferreira
Sergio Amantea
Diretoria SPRS

Clique aqui e confira o Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria

Redação: Marcelo Matusiak
Coordenação: Marcelo Matusiak
Colaboração: Agência Paim

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    (Agência Paim)

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