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COVID-19 no RS: cenário atual e perspectivas futuras

Opinião: Presidente da AMRIGS, Gerson Junqueira Jr

22.03.2021  |  280 visualizações

A velocidade e o dinamismo com que os fenômenos se sucedem em meio ao contexto da pandemia de COVID-19, é um dos maiores desafios para nós médicos. Avançamos muito nos protocolos de atendimento aos pacientes graves, mas temos muitas incertezas nos estágios iniciais da doença. Diferentemente do que vimos com as vacinas, onde as pesquisas andaram de forma muito rápida, em relação a drogas que sejam efetivas contra o coronavírus não há nada muito claro ainda.

Sabemos que o contraditório e o debate são inerentes ao desenvolvimento médico-científico e incentivamos a argumentação técnica nestas situações. Ao contrário, consideramos inaceitável qualquer tentativa de politização ou judicialização de modalidades terapêuticas à Covid-19, em detrimento da discussão científica.

O que a Associação Médica do Rio Grande do Sul defende e reitera à comunidade gaúcha, é que os médicos tenham liberdade para tratar seus pacientes, evidentemente que de forma consensual, e sempre fundamentados pela ciência médica e pelas melhores práticas. A prescrição de medicamentos é de inteira responsabilidade do profissional médico, respeitando-se os preceitos de autonomia, da beneficência e da não-maleficência.

Porém, o cenário atual é complexo e muitos fatores exigem reflexão e debate. É preocupante o número crescente e acelerado de pacientes graves que necessitam internação em leitos de UTIs, rompendo de forma sem precedentes a casa dos 100% de ocupação em praticamente todo o sistema de saúde do RS. E temos aqueles que aguardam vagas em emergências dos hospitais ou fora deles, agravando ainda mais as possibilidades. Esta situação é a ponta final de uma cadeia que precisa, mais do que nunca, ser analisada com atenção. Como podemos atuar preventivamente para que as pessoas não se contaminem e não desenvolvam a COVID-19?

Precisamos canalizar os esforços em três frentes. A primeira, é a responsabilidade social de cada cidadão com as medidas protetivas amplamente alardeadas desde o início da pandemia: adequada higienização das mãos, usar máscaras corretamente e respeitar o distanciamento social, evitando aglomerações. É indispensável reduzir a contaminação e a propagação do vírus! O segundo aspecto é que precisamos investir mais em testagem, para diagnóstico e rastreamento dos casos suspeitos. Com mais informação, fica mais fácil entender como a doença se propaga. A terceira e última frente é a vacinação. Precisamos de mais celeridade no envio de doses pelo poder público e, principalmente, previsibilidade do envio para melhor planejameno dos gestores locais.

Chegamos a esta alarmante situação em meados de fevereiro. Comparados com o restante do país, nosso Estado tinha números mais brandos até então. Um dos fatores que podem estar relacionados com a aceleração na disseminação da COVID-19 talvez seja a identificação da cepa P.1 (variante de Manaus) em casos no RS, por ter maior transmissibilidade. Mas esta é uma variável que não está sob nosso controle. O outro fator é comportamental. As pessoas relaxaram e passaram a interagir mais, por conta de uma falsa sensação de tranquilidade.

São números crescentes e inquietantes e que mostram uma piora da situação pandêmica em todo o Estado. O momento é crítico e o colapso na saúde público-privada é real. Cada tomada de decisão, infelizmente, só irá se refletir dentro dos próximos 15 dias. Vivenciamos hoje, o resultado de ações que foram tomadas há duas semanas. Sendo assim, medidas urgentes e mais contundentes precisam ser bem debatidas e avaliadas. Talvez, no cenário atual, a excepcionalidade de medidas sociais mais restritivas deva ser aventada e amplamente discutida.

Presidente da AMRIGS

Gerson Junqueira Jr

  • Gerson Junqueira Jr
    (Eduardo Baldasso)

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