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História de Sapiranga

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14.01.2022  |  29 visualizações

Para compreender o início da história da CDL Sapiranga, é indispensável fazer um passeio pela história do próprio município. As nossas origens estão ligadas a um representante do comércio: João Pedro Schmidt, comerciante do Hamburgerberg, alemão, foi um dos precursores da colonização alemã nas terras que hoje formam o município de Sapiranga.

A área que atualmente correspondente ao município de Sapiranga era, inicialmente, ocupada por índios Kaingangues e Guaranis, que viviam pela encosta e juntos aos rios e arroios. A ocupação portuguesa ocorreu no século 18, mas o primeiro proprietário, segundo o registro de sesmarias (1816-1820), foi Innocencio Alves Pedroso, que vendeu suas terras a João Ferreira da Silva, que, por sua vez, negociou elas com Manoel José Leão. Nesta época a região chamava-se Padre Eterno e pertencia à freguesia da Aldeia dos Anjos, onde Manoel José Leão instalou sua propriedade conhecida como Fazenda Leão (Leonerhof).

A colonização alemã

No período de 1824 a 1826, os primeiros alemães estabeleceram-se no Rio Grande do Sul. Estes imigrantes germânicos desembarcaram em São Leopoldo no dia 25 de julho de 1824 (data hoje festiva em nossa região), iniciando a história dos municípios que formam a região conhecida como Vale dos Sinos. Esses imigrantes receberam lotes de terras, onde deram início à sua habitação. Segundo a historiadora e professora Dóris Fernandes Magalhães, a Fazenda Padre Eterno, após discussões jurídicas, foi levada à leilão pela Justiça e arrematada em praça pública por João Pedro Schmidt, comerciante do Hamburgerberg, em julho de 1842. Essa venda marca o início, de fato, da colonização alemã nas terras que hoje formam o município de Sapiranga. O comerciante cria a sociedade com seu vizinho João Kraemer, e, através da Sociedade Schmidt & Kraemer, são loteadas as áreas da Fazenda Padre Eterno para colonos, que se organizam em pequenas propriedades policultoras, usando mão-de-obra familiar. Os primeiros colonos a comprarem terras (chamadas de prazos coloniais) foram João Hofmeister e Henrique Pedro Müller, em 1845, em lotes vendidos próximos da encosta do Morro Ferrabraz.

Os colonos vindos do Hunsrück instalados vão se dedicar à atividade agrícola de subsistência, bem como ao artesanato, ferraria, marcenaria, carpintaria, selaria e tamancaria, trabalhos que haviam trazido da Europa e graças a qual puderam suprir suas necessidades nas novas colônias. Nos primeiros anos era comum encontrar os colonos dedicando-se, simultaneamente, a alguma atividade artesanal e outra agrícola. Aos poucos, o artesanato se amplia para pequenas manufaturas onde, como na lavoura, a mão-de-obra básica era a familiar. Mas o advento da manufatura não iria eliminar o artesanato, de modo que, por muito tempo, ambas as atividades iriam coexistir.

Em 1850, começou o povoamento efetivo do solo sapiranguense, com o estabelecimento dos primeiros colonos. Em 1.º de julho desse ano havia em Sapiranga e seus arredores 398 habitantes, a maioria deles (265), evangélicos. Assim, em 9 de fevereiro de 1851, o pastor Doutor Roch inaugura a primeira igreja, sendo que até então os cultos eram celebrados em residências particulares - em 1880 seria construída a casa paroquial e também a Escola Duque de Caxias. Em 1890 é adquirido o primeiro sino para a igreja.

A ferrovia e o nome da cidade

A partir de 1890, Sapiranga deixa de ser parte do 4.º Distrito de São Leopoldo para ser vila e sede do 5.º distrito, pelo Ato Intendencial n.º 154. Em 1899, iniciou-se a construção da Ferrovia Novo Hamburgo-Taquara, inaugurada em 1903, ampliando o transporte que até então era feito por lanchões, barcos, cavalos, mulas e carretas.

Com a ferrovia, Sapiranga recebeu um novo impulso e, ao longo da estrada de ferro, se formaram os povoados, como Araricá e Campo Vicente.

Nesta época também surgiria o nome que daria origem à atual denominação do município. Havia abundância na região de uma fruta chamada araçá-pyranga (termo indígena para a fruta araçá de cor vermelha), denominação que originaria o nome do município de Sapiranga (Sapyranga, no início), em uma corruptela dos moradores que acabariam pronunciandoa fruta como "a-ça-piranga". Esta fruta ainda existe em quantidade significativa nos capões do Kraemer-Eck. A denominação de Sapyranga, inclusive, segundo historiadores, teria surgido pela primeira vez nessa região.

Energia elétrica

O desenvolvimento recebe impulso com a eletrificação da vila em 1935. A economia se diversifica: 76 casas comerciais, 148 estabelecimentos industriais , destacando-se indústrias de calçados, de sombrinhas, massas, sabão, atafonas , carimbos, metalúrgicas, móveis, aguardentes, vinhos, alfaiataria. Na década de 1940, ocorre um desenvolvimento maior na indústria de madeira e de calçados. No ano de 1946, começa a funcionar a primeira linha de ônibus pertencente a Braum e Cia, em um novo impulso nos transportes da região e a migração das estradas férreas para estradas de veículos automotores.

Movimento emancipacionista

Em 1933, a partir do surgimento de novas fábricas, houve a ampliação do mercado de trabalho sapiranguense. Com isso, a população triplicou. Esses e vários outros motivos contribuíram para o crescimento da idéia de emancipação. As lideranças partiram para passos concretos, através da criação de uma Comissão de Emancipação. Também foi criado um Conselho Deliberativo composto de todos os presidentes de partidos políticos da região. Em 1948 se tem efetivamente início o movimento emancipacionista, buscando a independência política e econômica de Sapiranga através do desmembramento de São Leopoldo. O número de habitantes ainda era insuficiente (inferior a 12 mil) para se emancipar. Então, a organização apelou aos habitantes dos distritos de Picada Hartz e Campo Vicente (pertencentes a Taquara). Assim, com essa união, Sapiranga cumpria com todas as exigências previstas em lei para se emancipar.

Em 1953 , após intensa campanha, na qual foram visitados todos os quadrantes da região que formaria o novo município, promovendo-se festas populares, discursos, panfletos bilingües (em português e alemão, já que era forte a colonização alemã na região e muitos só falavam o idioma germânico), realiza-se um plebiscito, no qual se impõe a vontade popular pela emancipação. O plebiscito ocorreu em 20 de dezembro de 1953, sendo a proporção de votos de quase 5 por 1 a favor da emancipação. Seguindo-se todos os trâmites necessários para a época, um ano depois, pela Lei estadual n.º 2.529, de 15 de dezembro de 1954, é criado o Município de Sapiranga, ocorrendo a instalação a 28 de fevereiro de 1955, data na qual é oficialmente festejado o aniversário da cidade.

A primeira eleição, para prefeito, vice-prefeito e vereadores, realizou-se no dia 20 de fevereiro de 1955. O primeiro prefeito de Sapiranga foi Edwin Kuwer, compondo-se a 1.ª Câmara Municipal de Vereadores com Manoel Baillet Candemil, Adolfo Evaldo Lindenmeyer, Anita Wingert, Arthur Petry, Bertholdo Hauser, Armindo Schwarz e Leopoldo Sefrin. A posse dos vereadores ocorreu em 26 de fevereiro de 1955 e a posse do prefeito e vice ocorreu em 28 de fevereiro do mesmo ano.

Pela Lei municipal n.º 34, de 29 de julho de 1955, são criados os distritos Campo Vicente e Picada Hartz, anexados ao município de Sapiranga.

Atualidade

Desde sua emancipação, Sapiranga é uma das cidades que mais cresce no Vale do Sinos, sendo a sexta mais populosa desta região, só atrás de Canoas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Esteio. Sapiranga é hoje a 11.ª mais populosa entre as 34 cidades que formam a região metropolitana de Porto Alegre. Além de se destacar como a Cidade das Rosas (tendo a Festa das Rosas como um dos eventos mais tradicionais do Estado) e do Voo Livre (com destaque ao Morro Ferrabraz que se ergue como cartão postal da cidade), sua indústria calçadista tem papel de grande importância na economia da região.Apostando na força de sua gente retratada no próprio hino municipal ("gente capaz, que desperta bem cedo, constrói Sapiranga"), o município de Sapiranga projeta um futuro de crescimento em uma terra marcada por lutas, desafios e conquistas.

* Fonte: Prefeitura de Sapiranga. Texto de Guilherme Schmidt baseado em pesquisa de informações obtidas junto ao IBGE e no trabalho da historiadora e professora Dóris Fernandes Magalhães e também nos livros Jacobina Maurer de Elma Sant´Ana e A História de Sapiranga de Lucio Fleck.

Redação: Marcelo Matusiak

 

 

  • Vista aérea da cidade
    (Prefeitura de Sapiranga)

  • Posse do primeiro prefeito e da Câmara após a emancipação
    (Prefeitura de Sapiranga)

  • maior HIkv0tdD3lCqDSxputZ 8FCRolxFbJtK
    (Prefeitura de Sapiranga)

  • Estação de Trem Sapyranga na década de 60
    (Prefeitura de Sapiranga)

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